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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Reencarnação- limites



A encarnação não tem limites. Esta se processa de acordo com a evolução de cada um; assemelha-se a uma criança que cursa o pré-primário e que nos perguntasse: “ Há limite para o estudo? No que responderíamos: “O limite se relaciona com o objetivo a que buscas alcançar . Se no quadro de tuas realizações estiver a medicina ou o direito e outros mais, que requerem uma constante atualização, o estudo se prolonga; é imperioso estar atualizado, não havendo, portanto, limites determinados”. A criança, então, poderia acrescentar: ”E quantas vezes eu teria que retornar para a escola? Quantos anos teria de aplicação e estudo?” Responderíamos: “ Se estacionar, estará estagnando seu progresso: se caminhar adiante, estará evoluindo. De igual modo se processa a encarnação.

Observemos no diálogo que “Jesus”, teve com Nicodemos, no qual abordou esse tema, dizendo-lhe que o importante é renascer e quantas vezes se fizerem necessárias, sendo que à medida que a pessoa avança em sua evolução e aprimoramento, avança para a pureza espiritual, herdando a eternidade da vida. Não se trata, portanto, de quantas encarnações necessitamos para tornarmo-nos espíritos puros e sim, quantas encarnações, forem por nós outros aproveitadas em sua íntegra, para sermos espíritos puros.

Existem pessoas que em dez encarnações ou quinze, a representarem mais ou menos mil anos de evolução, conseguem alcançar a pureza de espírito, por terem se empenhado, atendendo verdadeiramente ao chamado de Jesus, a recomendar-lhes para que negassem a si mesmos, apanhassem a cruz de suas responsabilidades e o seguissem, em amor e verdade.

Direis por tua vez: “ Compreendo, mas como poderei fazer isso, se sou casado e com filhos?”

Para negar a si próprio, não é preciso ser solteiro; Jesus não dispensa as suas responsabilidades assumidas porém, acrescenta a essas, novas tarefas a seu favor, para que te possas purificar; para que te regeneres; para que te apliques, aprimorando-se de modo a seguir os preceitos Divinos, advindos de mais alto.

É imperioso o despertar para a realidade, em que por meio do livre arbítrio, escolhes o caminho da esquerda ou da direita, sendo que, à medida que o teu esforço se faz presente, em cada reencarnação, fundamentada nas leis do amor e da caridade, em cada uma delas, tornar-se-á mais fácil e mais favorável tua evolução, tua regeneração e o progresso espiritual.

A assistência superior se fará mais presente, ao passo que a cada reencarnaçã, não aproveitada, as dificuldades aumentam, à maneira da criatura que aceita e segue e a criatura que nega e ainda se revolta, neste caso, sua situação somente tende a piorar, porque toda criatura que se revolta para com a Providência Divina, atrai sobre si, a maneira do ímã que atrai a limalha de ferro, o mal e a negatividade, prejudicando não somente a si mesmo, mas igualmente aos que estão a sua volta.

De certo que deves ter percebido na trajetória de tua vida, em contato com certas pessoas, ao conversarem, passarem a se sentir mal e, com outras, sentirem-se muito bem; isso significa que, aquela pessoa ou aquele irmão ou irmã, está com problemas.Está talvez, trilhando caminhos e procedimentos errados, criando a sua volta, miasmas, prejudiciais,que se desfazem através do cadinho depurador do sofrimento, devido à animosidade e ao descaminho, por meio de maldades, inveja, ciúmes, viciações, egoísmo, orgulho etc..

Os motivos são vários, ou seja, ao trilhar o caminho do mal, estarás adentrando o labirinto da sombra, ao passo que, ao trilhar o caminho do bem, adentraste a senda de luz; portanto, cabe a cada um saber qual caminho seguir, tens de te decidir, ser bom ou mal.

A grande maioria da humanidade simplesmente pensa dessa forma, “...eu ainda não sou velho; quando isso acontecer e estiver cheio de problemas, aí sim é o momento de voltar-me para Deus”.

Contudo, nesse momento, terás de desbravar o caminho entre você e “Deus”, donde confirmarás estar muito distante dele.

É evidente que todo aquele que busca a trilha antes, a encontrará e a manterá, cultivando nela as boas ações de seu coração, sendo que todo o que a buscar depois, não poderá ultrapassar o primeiro É o que ocorre com a humanidade em relação à reencarnação, cabendo a cada um tornar o seu futuro melhor ou pior. Se aqui nos situamos no aprendizado, evidentemente é para que o nosso futuro seja menos amargo, mas para tanto se faz necessário que sigamos as orientações, não a nosso modo, mas da forma que nos é apresentada. Não conseguiremos aprender através de nossas imposições, ou seja, dizer: “É deste modo que eu quero e fim!” Ninguém se oporá a nossa decisão, mesmo porque, somos dotados do livre arbítrio; ocorre, entretanto, que ao agirmos deste modo, pensaremos que estamos indo à diante, quando na verdade, estamos nos direcionando opostamente. É preciso que se saiba que existem conhecimentos profundos que ainda não nos é dado conhecer, pois não estamos preparados para ingerirmos tal alimento espiritual, não o aproveitaríamos, portanto. Recordamos neste momento o benfeitor espiritual Emmanuel, que nos informa que “Para crianças dá-se leite”, sendo que muitos de nós outros estamos ainda necessitando de leite, por não estarmos preparados para compreender a profundidade dos ensinamentos superiores, para isso é preciso que se dê tempo. O mesmo ocorre nos processos reencarnatórios, pois não estamos aptos a aprender todos os valores da vida em uma única encarnação. Há casos em que observamos as atitudes desta ou daquela pessoa e desaprovamos o seu comportamento, achando que não seríamos capazes de agir de igual modo, entretanto, é preciso que se saiba que por nossa vez fazemos coisas e tomamos atitudes que aquela pessoa que observamos também não será capaz de fazer.

A Terra é a grande escola do aprendizado e como tal, analisemos: Em uma sala de aula, existem alunos que repetem o ano por não conseguirem dominar a matemática, ao passo que outros igualmente repetem por ter dificuldade em português; o que para uns isto ou aquilo ainda é dificultoso aceitar, compreender e assimilar, para outros não apresenta dificuldade alguma. Nos caminhos evolutivos da vida, todos passamos por várias experiências; em muitos casos aprendemos e em outros não temos êxito, no entanto, outra pessoa tem êxito, exatamente onde nós encontramos dificuldade.Cada um, portanto, se situa em um degrau da escala evolutiva. Suponhamos duas pessoas têm o mau hábito de mentir, uma consegue vencer este hábito e a outra não; em uma nova encarnação a que conseguiu não mais precisa passar pela experiência dado ter o domínio sobre si mesma, frente a esse mau hábito, ao passo que a segunda terá que repetir a lição condizente. Dado a isso, não nos cabe julgar a quem quer que seja, pois o que nós já aprendemos outros ainda têm dificuldade em aprender. Observemos igualmente sobre a aceitação. Existem coisas e situações que você não aceita, ao passo que a pessoa em questão já aceita e vice versa. Se nos reportarmos ao ontem, muitas situações e ocorrências não aceitávamos, no entanto hoje aceitamos, dado a nossa maturidade espiritual; o mesmo ocorrendo no que se refere ao nosso amanhã.

Cabe a nós outros decidir quanto ao nosso futuro, uma vez que o pretérito é inalterável e o amanhã nos pertence. Façamo-lo o melhor possível para o nosso próprio bem e a nossa felicidade.

Por Marlon Santos

de laresespíritas.com

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Processo Reencarnatório




1. Reencarnação Compulsória: É aquela que acolhe o Espírito sem prévia concordância dele e até mesmo sem o seu conhecimento. É por sua índole, própria dos Espíritos cujo grau de perturbação impede análise clara da situação, ou cujas faltas são tão graves que anulam a liberdade de escolha. É uma imposição feita pela Lei Divina para atender aos casos cuja recuperação exige longas expiações.


2. Reencarnação Proposta: É aquela que leva em consideração o livre-arbítrio relativo de que dispõe o Espírito. Mentores Espirituais estudam, sem imposição, seus débitos e méritos, programando em seguida os principais acontecimentos da próxima existência física, tendo em vista a liquidação ou diminuição de dívidas e possibilidades de progresso moral e espiritual.


3. Reencarnação Livre: É aquela que é própria dos missionários, Espíritos redimidos perante a Lei Divina ou próximos da redenção no plano terreno. São os que possuem ampla liberdade de escolha. Chegam ao plano material para o desempenho de tarefas elevadas em qualquer segmento do conhecimento humano, tanto nas ciências como na filosofia ou religião. Neste último, tornam-se: Um Sócrates; um Buda; um Krishna, e, notadamente, Jesus de Nazaré.


Temos ainda a:


Reencarnação Acidental: Há circunstâncias diversas que promovem a alteração no planejamento reencarnatório, que pode ocorrer sem o detalhamento necessário nos casos de reencarnações acidentais. A fecundação não estava prevista. Ocorre uma união sexual fortuita. O espírito que esteja próximo ao casal será “atraído” pelo óvulo fecundado. Mecanismos automáticos, por vezes incompreensíveis, encarregar-se-ão de propiciar lições de aprendizagem de que o espírito, nessa circunstância, necessite.


Nesses casos, encaixam-se os reencarnantes oriundos de estupros e outros “acidentes” semelhantes. O suicídio é um exemplo do algo não planejado antes da encarnação e que é uma forma de alterar o planejamento.


Em princípio tudo pode ocorrer, desde que esteja dentro das leis naturais. O processo reencarnatório se opera dentro das leis de sintonia entre espíritos e dentro das leis biológicas da hereditariedade. Assim, supondo que espíritos caracterizados como obssessores, estejam afinizados com o casal, e, se não houver proteção por parte de espíritos que se interessem pelo par, pelo menos teoricamente, isto seria possível. No entanto, as circunstâncias que cercam a ligação, mesmo fortuita entre duas pessoas são muito difíceis de serem analisadas. Mesmo que tal fato se dê, não sairá nunca das condições de afinidade e de merecimento que envolvem todos os espíritos afetados. E sendo assim, está tudo dentro da Lei, mesmo não sendo especialmente previsto.



REENCARNAÇÃO: Chave Perdida


O livro Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, esclarece que efetivamente a Doutrina Espírita interpreta a passagem do “nascer de novo” do Evangelho de João, como o princípio da Reencarnação, elucidando ainda que a “idéia da Reencarnação vem de remotas civilizações e é a verdadeira chave que nos abre a compreensão de muitos problemas humanos.” Conclui Emmanuel: “Contudo, a Religião Cristã, adaptando-se aos formalismos hebraico-cristãos, perdeu a chave que Jesus de Nazaré lhe havia deixado em suas palavras e atos.”


Dessa maneira, o objetivo da existência física numa encarnação é a superação da condição humana através das reencarnações na Terra e em outros mundos habitados para atingir a Espiritualidade. Estamos diante uma teoria Espírita, a Teoria Espírita da Evolução e Imigração dos Mundos, que explicita que o Homem, através da sucessão de vidas na Terra e em outros mundos habitados material e espiritualmente, se reintegre na Evolução Cósmica.

Marlon Santos

Por Grupo Espírita André Luis GEAL

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Espiritismo é considerado uma Religião?



O ESPIRITISMO É UMA RELIGIÃO?

Não, não é. Usualmente define-se o Espiritismo como uma religião. Inclusive, em alguns locais, o Espiritismo é tratado como mais uma religião, a par de centenas de outras. Allan Kardec definiu o Espiritismo de forma bem clara e transparente. Se o Espiritismo fosse mais uma religião perderia o seu carácter Universalista e seria apenas mais uma, no meio de um milhar oriundas do cristianismo, e mais de tr
ês milhares provenientes de outras denominações religiosas.

O pensamento de Kardec é bem claro, pelo que não se entende muito bem, essa infeliz afirmativa.

Leiamos Kardec: (1) "Porque, então declaramos, que o Espiritismo não é uma religião?*

Porque não há uma palavra para exprimir duas ideias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; desperta exclusivamente uma ideia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí senão uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimónias e de privilégios; não o separaria das ideias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes se levantou a opinião pública.

Não tendo o Espiritismo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual do vocábulo, não podia nem devia enfeitar-se com um título sobre cujo valor inevitavelmente se teria equivocado. Eis porque simplesmente se diz: doutrina filosófica e moral."*

Acreditamos que podemos amar profundamente o próximo e pôr em prática essa notável nobreza, aproximando-nos de Deus, através do crescimento interior de cada um, sem haver necessidade de se reduzir o Espiritismo a uma religião. Não devemos confundir moral com religião. A moral tem um sentido mais abrangente, mais Universalista, englobando todas as sensibilidades religiosas, sendo ela própria, uma disciplina da Filosofia. O conceito de religião é redutor limitando-se apenas a uma religião, é limitativa, absolutista, estática, e sendo a mais pura antítese, da lógica e do raciocínio.

O QUE É O ESPIRITISMO?

Mas afinal o que é o Espiritismo?(2): "O Espiritismo é, ao mesmo tempo, Ciência Experimental e Doutrina Filosófica. Como ciência prática, tem a sua essência nas relações que se podem estabelecer com os espíritos. Como filosofia, compreende todas as consequências morais decorrentes dessas relações. Pode ser definido assim: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal."*.

Pelo que podemos constatar, Allan Kardec, numa definição límpida de Espiritismo não faz qualquer menção a ser uma religião. Será que o génio de Kardec se esqueceu? Vejamos...


QUAL O VERDADEIRO CAR
ÁTER DO ESPIRITISMO?


Mais à frente no mesmo livro, podemos observar uma conversa de Allan Kardec com um padre, em que ambos estabelecem o seguinte diálogo(3):

"O sacerdote - Convenho em que, no que diz respeito às questões em geral, o Espiritismo é conforme às grandes verdades do Cristianismo. Mas... e aos dogmas? Não vai ele de encontro a certos princípios que a igreja ensina?

Allan Kardec - O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência, e não se ocupa com questões dogmáticas. Como ciência, e como todas as filosofias, tem consequências morais. Estas são boas ou más? Pode-se julgá-lo pelos princípios gerais que acabo de recordar. Algumas pessoas se equivocaram quanto ao verdadei
ro caráter do Espiritismo. A questão é suficientemente séria e de molde a merecer uma explicação de nossa parte."*

Pelo que vimos acima, já podemos observar que o próprio Allan Kardec considera o Espiritismo como tendo consequências morais e não consequências religiosas como alguns pretendem. É tremendamente lógica e racional esta conclusão de Kardec; uma vez que o Espiritismo leva à nossa reforma moral, e não à nossa reforma religiosa, alertando mesmo para a gravidade de tal proposta.

Um pouco mais à frente, Kardec, ainda detalha mais esta questão...(4): "Melhor observado depois de sua divulgação, o Espiritismo faz luz sobre uma multidão de questões até hoje tidas como insolúveis ou mal compreendidas. Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião. A prova disso é que conta entre seus adeptos homens de todas as crenças (...)".*


RELIGAMENTO A DEUS OU "RELIGAÇÃO"...!?


Existem também algumas teorias sofistas, (partindo de uma premissa falsa) de que a palavra religião vem do latim religare que se considerarmos que o Espiritismo nos "religou" a Deus (o que é um autentico paradoxo, já que nunca estivemos separados do Criador), podemos chamar-lhe religião. Independentemente da etimologia ou semântica da palavra, vamos novamente ver o que Kardec diz a este respeito, ainda no mesmo livro (5):

"O sacerdote - O senhor faz não obstante, as invocações segundo uma formula religiosa?

Allan Kardec - Anima-nos, certamente, um sentimento de religioso, nas evocações e em nossas reuniões. Não existe, porem, uma formula sacramental. Para os Espíritos o pensamento é tudo; a forma não vale nada. Nós os invocamos em nome de Deus porque cremos em Deus e sabemos que nada se cumpre neste mundo sem a Sua permissão e porque se Deus não lhes permitisse vir, não viriam. (...) Isto tudo o que prova? QUE NÃO SOMOS ATEUS, O QUE DE NENHUM MODO IMPLICA EM QUE SEJAMOS RELIGIOSOS." *

Observa-se aqui que Allan Kardec é bem pragmático ao fazer a diferenciação entre NÃO SER ATEU e SER RELIGIOSO. Saber que Deus existe, é tão somente isso mesmo: não ser ateu.


QUEM DESEJA QUE O ESPIRITISMO SEJA MAIS UMA RELIGIÃO?

Opinião de Kardec sobre o tema: Espiritismo é religião?

Allan Kardec em:"Discurso de Abertura", de 2 de novembro de 1868,publicado na "Revue" de dezembro do mesmo ano:


Primeiramente lembro o clássico artigo publicado na "Revista espírita" de dezembro de 1868, intitulado "O espiritismo é uma religião?", pois nesse texto, Kardec declara não ser o espiritismo uma religião, por não possuir os caracteres das religiões tradicionais,como as cerimônias e os sacerdotes.

Todavia, afirma ele nesse mesmo texto: "o laço estabelecido por uma religião é um laço essencialmente moral, que liga os corações, que identifica os pensamentos, [...]. O efeito desse laço moral é o de estabelecer entre os que ele une, [...] a fraternidade e a solidariedade, a indulgência e a benevolência mútuas. [...] Se assim é, perguntarão, então o espiritismo é uma religião?

Ora, sim, sem dúvida, senhores; no sentido filosófico, o espiritismo é uma religião". Kardec é bem claro em sua opinião ao possibilitar que o espiritismo seja considerado uma religião apenas em seu aspecto filosófico, ou seja, por reunir em torno de seus princípios filosóficos os homens numa congregação de fraternidade e benevolência, para então concluir, após a afirmativa acima:

"O espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres duma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria ornar-se de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral".

Eis uma observação de Kardec, muito a propósito, na Revue Spirite de 1864, p. 199, com respeito à divulgação do Espiritismo como uma religião pelos doutores da Lei da era moderna:

"Quem primeiro proclamou que o Espiritismo era uma religião nova, com seu culto e seus sacerdotes, senão o clero? Onde se viu, até o presente, o culto e os sacerdotes do Espiritismo?

Se algum dia ele (Espiritismo*) se tornar uma religião, o CLERO é quem o terá provocado".*

Bem e finalizamos... o Espiritismo é a doutrina mais bela que pessoalmente temos conhecimento.
Referências
(1) "Revista Espírita", Ano XI, Dezembro 1868, vol. 12, - Discurso proferido pelo Sr. Allan Kardec na sessão anual comemorativa dos mortos na Sociedade de Paris, 1º de Novembro de 1868
(2) Kardec, Allan - O que é o Espiritismo -, Prólogo, pág. 12, LAKE
(3) Kardec, Allan - O que é o Espiritismo -, Cap. I, Terceiro Diálogo - O sacerdote, pág. 97, LAKE
(4) Kardec, Allan - O que é o Espiritismo -, Cap. I, Terceiro Diálogo - O sacerdote, pág. 98-99, LAKE
(5) Kardec, Allan - O que é o Espiritismo -, Cap. I, Terceiro Diálogo - O sacerdote, pág. 99-100, LAKE
(6) Almeida, Luiz de-CEPA

Marlon Santos

domingo, 26 de agosto de 2012

A Gênese II (orgânica)

Revoluções gerais ou parciais

As revoluções gerais ocorreram durante as fases de consolidação da crosta terrestre; são os períodos geológicos que se sucederam de forma lenta e gradual, exceto o período diluviano que transcorreu de forma repentina.

Desde que atingida a solidificação da crosta, passaram a ocorrer somente modificações parciais da superfície, pela ação do fogo e das águas. O fogo produziu erupções vulcânicas ou terremotos, com todas as suas conseqüências, levantamentos ou afundamentos de regiões da crosta, dando origem a ilhas oceânicas e desaparecimento de outras tantas. Quanto às águas, inundaram ou ampliaram costas, formaram lagos, "aterros nas embocaduras dos rios que rechassando o mar, criaram novos território

s", como o delta do Nilo e delta do Ródano.

Idade das montanhas

A idade das montanhas não representa o nº de anos de sua existência mas sim o período geológico em que se formaram. Assim, constatou-se que são do período de transição as montanhas dos: Vosges da Bretanha, Côte-d' Or na França. São do período secundário: Jura, contemporâneo dos répteis gigantes. Terciário: Pirineus, Monte Branco, Alpes ocidentais, Alpes orientais(Tirol). Período Diluviano: algumas montanhas da Ásia.

Dilúvio bíblico

É conhecido como "grande dilúvio asiático". Mares interiores como o de Azof e o mar Cáspio, e águas salgadas e sem comunicação com outros mares, além de outros fatores, comprovam a tese de que foi causado por levantamento de parte de montanhas da Ásia, provocando inundações na Mesopotâmia e demais regiões em que vivia o povo hebreu. Foi portanto de efeitos locais e não universais como sugere o livro de Moisés, tanto que a chuva não teria condições de provocar a inundação de toda a Terra.

O dilúvio asiático conservou-se na memória dos povos, sendo, portanto, posterior ao surgimento do homem na Terra. "É igualmente posterior ao grande dilúvio universal que assinalou o início do atual período geológico".

Revoluções periódicas

Além dos movimentos de translação e rotação, a Terra executa um terceiro movimento sobre seu eixo como o de um "pião a morrer", movimento que se completa a cada 25.868 anos, produzindo o fenômeno chamado "precessão dos equinócios". O equinócio é o momento em que o sol, em seu movimento de um hemisfério a outro, se encontra perpendicular ao equador, o que ocorre em 21 de março e a 22 de setembro de cada ano. Como a cada ano o momento do equinócio avança alguns minutos, resulta que o equinócio da primavera (mês de março), ocorrerá futuramente em fev., depois, jan., dez., fazendo com que a temperatura do mês se altere, voltando gradativamente ao estágio original ao completar o período de 25.868 anos. A esse avanço do momento dos equinócios denominou-se "precessão dos equinócios".

As conseqüências desse movimento são:

  1. O aquecimento com fusão dos gelos polares até à metade do período e posterior resfriamento gradativo até novamente congelarem-se, permitindo aos polos gozarem de fertilidade no período após o degelo.
  2. O deslocamento do mar, inundando lenta e gradativamente algumas terras, fazendo com que as populações de geração para geração se desloquem para regiões mais altas, voltando as águas posteriormente ao leito anterior. Enquanto estão imersas, as terras recuperam os princípios vitais esgotados, através dos depósitos de matérias orgânicas, ressurgindo novamente férteis após o afastamento das águas.

Cataclismos futuros

Alcançada já a solidificação da crosta e extintos a maioria dos vulcões, não é de se esperar a ocorrência das grandes comoções telúricas. Erupções vulcânicas ainda ocorrem, causando perturbações locais, como inundações das áreas próximas.

A natureza fluídica dos cometas afasta qualquer receio de choque contra a Terra, pois, se ocorresse, a atravessaria sem causar dano. Por outro lado a "regularidade e a invariabilidade das leis que presidem aos movimentos dos corpos celestes" afasta qualquer hipótese de choque entre planetas.

A Terra terá logicamente um fim. Entretanto, atualmente acabou de sair da infância, entrando em um período de progresso pacífico com fenômenos regulares e com o concurso do homem. "Está, porém, ainda, em pleno trabalho de gestação do progresso moral. Aí residirá a causa das suas maiores comoções. Até que a Humanidade se haja avantajado suficientemente em perfeição, pela inteligência e pela observância das leis divinas, as maiores perturbações ainda serão causadas pelos homens, mais do que pela Natureza, isto é, serão antes morais e sociais do que físicas".

Aumento ou diminuição do volume da Terra

O espírito de Galileu manifestou em 1.868, opinião à respeito, esclarecendo que "os mundos se esgotam pelo envelhecimento e tendem a dissolver-se para servir de elementos de formação a outros universos". No período de formação, ocorre a condensação da matéria com redução do volume, porém conservando a mesma massa; no segundo período há a contração e solidificação da crosta, desenvolvimento da vida até a forma mais aperfeiçoada. À medida que os habitantes progridem espiritualmente, o mundo passa a um decrescimento material, sofrendo perdas e gradual desagregação de moléculas até chegar a completa dissolução. Ao diminuir a massa do globo, passa a ser dominado gravitalmente por planetas mais poderosos, alterando seus movimentos e conseqüentemente as condições de vida. É a terceira fase: decrepitude, após passar pela infância e virilidade. "Indestrutível, só o Espírito, que não é matéria".

GÊNESE ORGÂNICA

Formação primária dos seres vivos

O estudo das camadas geológicas revela que cada espécie animal e vegetal surgiu simultaneamente em vários pontos do globo, bastante afastados uns dos outros, o que atesta a previdência divina, garantindo condições de sobrevivência apesar das vicissitudes a que estavam sujeitas.

A grande Lei de unidade que rege a formação dos corpos inorgânicos preside também a criação material dos seres vivos. A combinação de substâncias elementares como o oxigênio, hidrogênio, carbono, azoto, cloro, iodo, flúor, enxofre, fósforo e todos os metais, formam as substâncias compostas tais como os óxidos, ácidos, álcalis, sais que por sua vez combinados resultam em inúmeras variedades, estudadas em laboratórios pela Química e operadas "em larga escala no grande laboratório da Natureza."

A composição dos corpos ocorre quando existem condições favoráveis como grau de calor, umidade, movimento ou repouso, corrente elétrica, etc, e em função da afinidade molecular de seus princípios elementares que se combinam guardando proporções definidas.

Na origem da Terra os princípios elementares apresentavam-se volatilizados no ar. Com o gradativo resfriamento e sob condições favoráveis, precipitaram-se formando combinações donde resultaram as variedades de carbonatos, sulfatos, etc.

A cristalização é o notável fenômeno resultante da passagem do estado líquido ou gasoso para o sólido assumindo formas regulares de sólidos geométricos tais como, de prisma, cubo, pirâmide. A forma geométrica do corpo corresponde à das moléculas componentes e somente ocorre o fenômeno diante de condições específicas de grau de temperatura e repouso absoluto.

No reino animal e vegetal a composição básica é a mesma dos corpos inorgânicos, principalmente o carbono, oxigênio, hidrogênio, azoto, de cujas combinações e variadas proporções resultam as inúmeras substâncias orgânicas, desde que encontrem circunstâncias propícias no meio em que se desenvolvem. Alterando-se as condições do meio, diminui ou cessa o desenvolvimento da vida orgânica até que novamente haja as condições ideais para o ressurgimento da vida. Cada espécie de cristal assim como cada espécie orgânica se reproduzem segundo forma e cores semelhantes, por estarem sujeitas à mesma Lei.

Princípio vital

Uma molécula composta por ex. de carbono, hidrogênio, oxigênio e azoto, poderá resultar em um mineral ou, se estiver modificada pelo princípio vital, resultará em uma molécula orgânica. Ao se formarem, portanto, os seres orgânicos assimilam o princípio vital que dá às moléculas propriedades especiais. Sua atividade é alimentada pela ação do funcionamento dos órgãos durante toda a vida até sua extinção.

Pode-se comparar o princípio vital à ação da eletricidade, de modo que os corpos orgânicos seriam como pilhas elétricas que "funcionam enquanto os elementos dessas pilhas se acham em condições de produzir eletricidade: é a vida; que deixam de funcionar, quando tais condições desaparecem: é a morte."

Geração espontânea

Observa-se que no mundo atual o princípio da geração espontânea aplica-se aos seres de organismo extremamente simples, rudimentar, do reino vegetal e animal, como o musgo, o líquen, o zoófito, os vermes intestinais. Muito embora os seres de organização complexa não se reproduzam espontaneamente, não se sabe como começaram, pois ninguém conhece o segredo de todas as transformações, entendendo-se assim a teoria da geração espontânea permanente apenas como hipótese.

Escala dos seres orgânicos

No início da escala situam-se os zoófitos (animais-plantas), que têm a aparência exterior da planta, mantém-se preso ao solo, "mas como o animal, a vida nele se acha mais acentuada: tira do meio ambiente a sua alimentação".

As plantas e os animais têm em comum: nascem, vivem, crescem, nutrem-se, respiram, reproduzem-se e morrem. Necessitam de luz, calor, água, ar puro. Enquanto as plantas se mantém presas ao solo, os animais, um degrau acima, se movimentam, como os pólipos; após o início do desenvolvimento dos órgãos, atividade vital e instintos estão os helmintos, moluscos(lesma, polvo, caracol, ostra), crustáceos(caranguejo, lagosta), insetos (em alguns dos quais se desenvolve o instinto engenhoso, como nas formigas, abelhas, aranhas). Segue-se a ordem dos vertebrados (peixes, répteis, pássaros) e os mamíferos (organização mais complexa).

Se percorrermos a escala degrau por degrau, sem solução de continuidade, chegaremos da planta aos animais vertebrados, podendo compreender a possibilidade de que os animais de organização complexa sejam o desenvolvimento gradual da espécie imediatamente inferior, até chegar ao primitivo ser elementar. Assim o princípio da geração espontânea aplicar-se-ia somente aos seres de organização elementar, sendo as espécies superiores resultantes das transformações sucessivas daqueles. Após adquirirem a faculdade da reprodução, os cruzamentos originaram novas variedades. À partir daí não mais havia necessidade dos germens primitivos, pelo que desapareceram. Esta teoria, que tende a predominar na Ciência, evidencia a causa de não haver geração espontânea entre animais de organização complexa.

O homem corpóreo

Anatomicamente o homem pertence á classe dos mamíferos, ordem dos bímanos, com pequenas modificações de forma exterior, porém com a mesma composição de todos os animais, com órgãos e funções, modos de nutrição, respiração, secreção e reprodução idênticos. Nasce, vive e morre decompondo-se seu corpo como toda a espécie animal, quando os elementos irão compor novos minerais, vegetais e animais.

Os quadrúmanos (animais com 4 mãos, como o orangotango, chipanzé, jocó) também caminham eretos, usam cajados, constroem choças e se alimentam usando as mãos. Isso leva a observação de que "acompanhando-se passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior".

de

Marlon Santos

por Boletim GEAE

terça-feira, 21 de agosto de 2012

A Gènese Espiritual - Parte 1




Princípio espiritual

Decorre do princípio: "Todo efeito tendo uma causa, todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente". As ações humanas denotam um princípio inteligente, que é corolário da existência de Deus, pois não é concebível a Soberana Inteligência a reinar eternamente sobre a matéria bruta. Sendo Deus soberanamente justo e bom, criou seres inteligentes não para lançá-los ao sofrimento e em seguida ao nada, mas para serem eternos, sobrevivendo à matéria e mantendo sua individualidade.

O princípio espiritual é independente do princípio vital, pois há seres que vivem e não pensam, como as plantas; "a vida orgânica reside num princípio inerente à matéria, independente da vida espiritual, que é inerente ao espírito". Independe também do fluído cósmico universal, tendo existência própria e sendo, juntamente com o princípio material, os dois princípios constitutivos do universo. O elemento espiritual individualizado constitui o espírito, enquanto que o elemento material forma os "diferentes corpos da natureza, orgânicos e inorgânicos". Todos os espíritos "são criados simples e ignorantes, com igual aptidão para progredir" por esforço próprio, através do trabalho imposto a todos até atingir a perfeição. Todos são igualmente objeto da solicitude divina, não havendo quaisquer favorecimentos.

Os mundos materiais fornecem aos espíritos "elementos de atividade para o desenvolvimento de suas inteligências". Os seres espirituais progridem normalmente até atingir a perfeição relativa; como Deus criou desde toda a eternidade, quando do surgimento da Terra, já havia seres espirituais que tinham atingido "o ponto culminante da escala", assim como outros "surgiam para a vida".

União do princípio espiritual à matéria

O corpo é "simultaneamente o envoltório e o instrumento do espírito", sendo apropriado ao nível de trabalho que cabe ao espírito executar em cada fase do desenvolvimento de suas faculdades. Na realidade em cada encarnação o próprio espírito molda o corpo ajustando-o à "medida que experimenta a necessidade de manifestar novas faculdades", que são rudimentares na fase de "infância intelectual". Sendo material, o corpo depois de algum tempo se desorganiza e decompõe; extingue-se o princípio vital e o corpo morre, quando então o espírito o abandona como a uma roupa que se tornou imprestável. O que distingue, portanto, o homem colocando-o acima dos animais, "é o seu ser espiritual, seu Espírito".

Encarnação dos Espíritos

Não podendo o espírito, por sua natureza etérea, agir diretamente sobre a matéria, faz-se necessário um intermediário, seu envoltório fluídico, semi-material, extraído do fluído cósmico universal modificado; é o perispírito. Torna-se assim o espírito apto a atuar sobre a matéria tangível e todos os fluídos imponderáveis. O fluído perispirítico serve de veículo ao pensamento, transmitindo ordem de movimento ao corpo, como também levando ao "Espírito as sensações que os agentes exteriores produzam".

No momento da concepção do corpo humano, expande-se o perispírito em forma de um laço fluídico, ligando-o molécula a molécula ao corpo em formação, em virtude da influência do princípio vito-material do gérmen. "Quando o gérmen chega ao seu pleno desenvolvimento, completa é a união; nasce então o ser para a vida exterior." Por ocasião da desorganização do corpo deixa de atuar o princípio vital, causando a morte, passando então o perispírito a se desprender molécula a molécula, voltando à liberdade. "Assim, não é a partida do Espírito que causa a morte do corpo; esta é que determina a partida do Espírito". O desencarne pode ser rápido, fácil suave e insensível ou lento, laborioso, horrivelmente penoso podendo durar meses, dependendo do estado moral do Espírito.

À partir do momento em que o Espírito é unido ao gérmen pelo laço fluídico, entra em estado de perturbação progressiva até que ao nascer acha-se totalmente inconsciente. Com a respiração da criança, inicia-se a recuperação das faculdades, qualidades e aptidões anteriormente adquiridas, muito embora perca o Espírito reencarnado a lembrança de seu passado, o que lhe permite recomeçar a tarefa na escalada do progresso em melhores condições, livre de humilhações decorrentes de erros passados. Seu passado se lhe desdobra aos olhos quando vem a desencarnar, quando então avalia o emprego de seu tempo. Durante o sono também se lembra de seu passado, pois está, por momentos, liberto dos liames carnais.

Segundo a opinião de alguns filósofos espiritualistas o princípio espiritual se individualiza através dos diversos graus da animalidade. Desenvolvidas as primeiras faculdades, recebe as faculdades especiais que caracterizam a alma humana. Esse sistema está de acordo com a grande Lei de Unidade, explica a finalidade da existência dos animais, porém as questões que suscita fogem à finalidade deste estudo, pelo que considera-se o Espírito à partir do momento em que entra na humanidade, dotado de senso moral e livre-arbítrio, sendo portanto responsável pelos seus atos.

As necessidades e vicissitudes da vida carnal força o Espírito a exercitar suas faculdades, desenvolvendo-as, resultando em seu progresso, enquanto que sua ação sobre a matéria auxilia no progresso do globo, colaborando assim com a obra do Criador. O Espírito passa maior tempo no mundo espiritual, sendo insignificante o período em que se encontra reencarnado. O progresso na vida espiritual vem da aplicação que faz dos conhecimentos e experiências adquiridos quando encarnado. A encarnação é necessidade inerente à inferioridade do Espírito. Torna-se punição somente quando estaciona na escala do progresso, por negligência ou má vontade, obrigado a recomeçar a tarefa de depuração. Por outro lado, pode o Espírito abreviar a extensão do período das encarnações, espiritualizando-se ampliando assim suas faculdades e percepções.

"O progresso material de um planeta acompanha o progresso moral de seus habitantes", de modo que há mundos mais e menos avançados que a Terra. Os espíritos passam pelas classes de mundos, adquirindo sempre mais experiências e conhecimentos até não mais necessitarem encarnar, continuando a progredir por outros meios, até atingir o ponto culminante do progresso, quando passam a ser Mensageiros, Ministros diretos do Criador, no governo dos mundos. Dentro da Hierarquia espiritual todos os espíritos têm sua atribuição no mecanismo do Universo, desde o mais atrasado até o mais adiantado, de modo que no Universo existe sempre atividade e nunca ociosidade.

Muito embora fossem bastante imperfeitos (como seus corpos) os primeiros espíritos que encarnaram na Terra, seus caracteres e aptidões eram bastante diversificados; agrupavam-se segundo suas semelhanças e simpatia, povoando-se o planeta com "espíritos mais ou menos aptos ou rebeldes ao progresso"; espíritos afins reencarnaram em corpos de mesmo tipo, formando diferentes raças, perpetuando-lhes o caráter distintivo físico e moral. Não sendo uniforme o progresso, naturalmente as raças mais inteligentes se adiantaram às demais. Assim o espírito, à medida em que atinge maior grau de progresso, reencarna em corpo de uma raça física apropriada, que lhe permita a manifestação de suas faculdades intelectuais e morais mais desenvolvidas.

Por

Marlon Santos

de

( Portal Do Espírito )

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Espírito do Suicída (Um suicída de Samaritana)


A 7 de abril de 1858, pelas 7 horas da noite, um homem de cerca de 50 anos e decentemente trajado apresentou-se no estabelecimento da Samaritana, de Paris, e mandou que lhe preparassem um banho. Decorridas cerca de 2 horas, o criado de serviço, admirado pelo silêncio do freguês, resolveu entrar no seu gabinete, a fim de verificar o que ocorria.

Deparou-se-lhe então um quadro horroroso: o infeliz degolara-se com uma navalha e todo o seu sangue misturava-se à água da banheira. E como a identidade do suicida não pôde ser averiguada, foi o cadáver removido para o necrotério.

1. - Evocação. (Resposta do guia do médium.) - Esperai, ele aí está.

2. - Onde vos achais hoje? - R. Não sei... dizei-mo.

3. - Estais numa reunião de pessoas que estudam o Espiritismo e que são benévolas para convosco. - R. Dizei-me se vivo, pois este ambiente me sufoca.

    Nota - Sua alma, posto que separada do corpo, está ainda completamente imersa no que poderia chamar-se o turbilhão da matéria corporal; vivazes lhe são as idéias terrenas, a ponto de se acreditar encarnado.

4 - Quem vos impeliu a vir aqui? - R. Sinto-me aliviado.

5. - Qual o motivo que vos arrastou ao suicídio? - R. Morto? Eu? Não... que habito o meu corpo... Não sabeis como sofro!... Sufoco-me... Oxalá que mão compassiva me aniquilasse de vez!

6. - Por que não deixastes indícios que pudessem tornar-vos reconhecível? - R. Estou abandonado; fugi ao sofrimento para entregar-me à tortura.

7. - Tendes ainda os mesmos motivos para ficar incógnito? - R. Sim; não revolvais com ferro candente a ferida que sangra.

8. - Podereis dar-nos o vosso nome, idade, profissão e domicilio? - R. Absolutamente não.

9. - Tínheis família, mulher, filhos? - R. Era um desprezado, ninguém me amava.

10. - E que fizestes para ser assim repudiado? - R. Quantos o são como eu!... Um homem pode viver abandonado no seio da família, quando ninguém o preza.

11. - No momento de vos suicidardes não experimentastes qualquer hesitação? - R. Ansiava pela morte... Esperava repousar.

12. - Como é que a idéia do futuro não vos fez renunciar a um tal projeto? - R. Não acreditava nele, absolutamente. Era um desiludido. O futuro é a esperança.

13. - Que reflexões vos ocorreram ao sentirdes a extinção da vida? - R. Não refleti, senti... Mas a vida não se me extinguiu... minha alma está ligada ao corpo... Sinto os vermes a corroerem-me.

14. - Que sensação experimentastes no momento decisivo da morte? - R. Pois ela se completou?

15. - Foi doloroso o momento em que a vida se vos extinguiu? - R. Menos doloroso que depois. Só o corpo sofreu.

16. - (Ao Espírito S. Luís.) - Que quer dizer o Espírito afirmando que o momento da morte foi menos doloroso que depois? - R. O Espírito descarregou o fardo que o oprimia; ele ressentia a volúpia da dor.

17. - Tal estado sobrevém sempre ao suicídio? - R. Sim. O Espírito do suicida fica ligado ao corpo até o termo dessa vida. A morte natural é a libertação da vida: o suicídio a rompe por completo.

18. - Dar-se-á o mesmo nas mortes acidentais, embora involuntárias, mas que abreviam a existência? - R. Não. Que entendeis por suicídio? O Espírito só responde pelos seus atos.

    Nota - Esta dúvida da morte é muito comum nas pessoas recentemente desencarnadas, e principalmente naquelas que, durante a vida, não elevam a alma acima da matéria. É um fenômeno que parece singular à primeira vista, mas que se explica naturalmente. Se a um indivíduo, pela primeira vez sonambulizado, perguntarmos se dorme, ele responderá quase sempre que não, e essa resposta é lógica: o interlocutor é que faz mal a pergunta, servindo-se de um termo impróprio. Na linguagem comum, a idéia do sono prende-se à suspensão de todas as faculdades sensitivas; ora, o sonâmbulo que pensa, que vê e sente, que tem consciência da sua liberdade, não se crê adormecido, e de fato não dorme, na acepção vulgar do vocábulo. Eis a razão por que responde não, até que se familiariza com essa maneira de apreender o fato. O mesmo acontece com o homem que acaba de desencarnar; para ele a morte era o aniquilamento do ser, e, tal como o sonâmbulo, ele vê, sente e fala, e assim não se considera morto, e isto afirmando até que adquira a intuição do seu novo estado. Essa ilusão é sempre mais ou menos dolorosa, uma vez que nunca é completa e dá ao Espírito uma tal ou qual ansiedade. No exemplo supra ela constitui verdadeiro suplício pela sensação dos vermes que corroem o corpo, sem falarmos da sua duração, que deverá equivaler ao tempo de vida abreviada. Este estado é comum nos suicidas, posto que nem sempre se apresente em idênticas condições, variando de duração e intensidade conforme as circunstâncias atenuantes ou agravantes da falta. A sensação dos vermes e da decomposição do corpo não é privativa dos suicidas: sobrevém igualmente aos que viveram mais da matéria que do espírito. Em tese, não há falta isenta de penalidades, mas também não há regra absoluta e uniforme nos meios de punição.

    Por

    Marlon Santos

    de

    o Livro dos Espíritos

    portal do espírito

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Os Espíritos vêem o que fazemos?


Questão 456. Vêem os Espíritos tudo o que fazemos?

R- “Podem ver, pois que constantemente vos rodeiam. Cada um, porém, só vê aquilo a que dá atenção. Não se ocupam com o que lhes é indiferente.”

Questão 457. Podem os Espíritos conhecer os nossos mais secretos pensamentos?

R- “Muitas vezes chegam a conhecer o que desejaríeis ocultar de vós mesmos. Nem atos, nem pensamentos se lhes podem dissimular.”

Questão 457 a) - Assim, mais fácil nos seria ocultar de uma pessoa viva qualquer coisa, do que a esconder dessa mesma pessoa depois de morta?

R- “Certamente. Quando vos julgais muito ocultos, é comum terdes ao vosso lado uma multidão de Espíritos que vos observam.”

Questão 458. Que pensam de nós os Espíritos que nos cercam e observam?

R- “Depende. Os levianos riem das pequenas partidas que vos pregam e zombam das vossas impaciências. Os Espíritos sérios se condoem dos vossos reveses e procuram ajudarvos.”

Livro dos Espíritos
Entendendo um pouco a mediunidade:
Os seres invisíveis, que revelam sua presença por efeitos sensíveis, são, em geral, Espíritos de ordem inferior e que podem ser dominados pelo ascendente moral. A aquisição deste ascendente é o que se deve procurar.
Para alcançá-lo, preciso é que o indivíduo passe do estado de médium natural ao de médium voluntário. Produz-se, então, efeito análogo ao que se observa no sonambulismo. Como se sabe, o sonambulismo natural cessa geralmente, quando substituído pelo sonambulismo magnético. Não se suprime a faculdade, que tem a alma, de emancipar-se; dá-se-lhe outra diretriz. O mesmo acontece com a faculdade mediúnica. Para isso, em vez de pôr óbices ao fenômeno, coisa que raramente se consegue e que nem sempre deixa de ser perigosa, o que se tem de fazer é concitar o médium a produzi-los à sua vontade, impondo-se ao Espírito. Por esse meio, chega o médium a sobrepujá-lo e, de um dominador às vezes tirânico, faz um ser submisso e, não raro, dócil. Fato digno de nota e que a experiência confirma é que, em tal caso, uma criança tem tanta e, por vezes, mais autoridade que um adulto: mais uma prova a favor deste ponto capital da Doutrina, que o Espírito só é criança pelo corpo; que tem por si mesmo um desenvolvimento necessariamente anterior à sua encarnação atual, desenvolvimento que lhe pode dar ascendente sobre Espíritos que lhe são inferiores.
A moralização de um Espírito, pelos conselhos de uma terceira pessoa influente e experiente, não estando o médium em estado de o fazer, constitui freqüentemente meio muito eficaz. Mais tarde voltaremos a tratar dele.
Nesta categoria parece, à primeira vista, se deviam incluir as pessoas dotadas de certa dose de eletricidade natural, verdadeiros torpedoshumanos, a produzirem, por simples contacto, todos os efeitos de atração e repulsão. Errado,
porém, fora considerá-las médiuns, porquanto a vera mediunidade supõe a intervenção direta de um Espírito. Ora, no caso de que falamos, concludentes experiências hão provado que a eletricidade é o agente único desses fenômenos. Esta estranha faculdade, que quase se poderia considerar uma enfermidade, pode às vezes estar aliada à mediunidade, como é fácil de verificar-se na história do Espírito batedor de Bergzabern.
Porém, as mais das vezes, de todo independe de qualquer faculdade mediúnica. Conforme já dissemos, a única prova da intervenção dos Espíritos é o caráter inteligente das manifestações. Desde que este caráter não exista, fundamento há para serem atribuídas a causas puramente físicas. A questão é saber se as pessoas elétricas estarão ou não mais aptas, do que quaisquer outras, a tornar-se médiuns de efeitos físicos. Cremos que sim, mas só a experiência poderia demonstrá-lo.
Marlon Santos
textos espíritas
André Luis

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Espíritos, flores e velas

“O que pensamos sobre a morte só tem importância na medida
em que a morte nos faz pensar na vida”. (Autor Desconhecido)
O medo é inerente aos Seres humanos e tem funções
importantes na nossa vida constituindo fatores necessários ao
nosso desenvolvimento emocional.
André Luiz classifica o medo como “um dos piores inimigos da
criatura, por alojar-se na cidadela da alma, atacando as forças
mais profundas”.
Estudos publicados no informativo Personality and Social
Psychology Review, informam que pensar sobre a morte pode
fazer bem à saúde, pois a consciência sobre a mortalidade pode
melhorar a saúde física e ajudar a priorizar valores e objetivos
promovendo bem estar.
Na Terra, a morte ainda é um fenômeno difícil de ser aceito e,
pois a incerteza do que vem depois dela é que atemoriza,
porém, por mais longa que seja a existência corporal, chegará o
momento em que a energia vital cessa, e o Espírito encarnado
retorna à erraticidade.
Dentre os motivos que podem levar uma pessoa a ter medo da
morte, estão a incredulidade, a pouca fé, crenças que impõe
esse sentimento e apelo a bens materiais.
Quando Jesus disse: “Deixa aos mortos o cuidado de enterrar
seus mortos”, Ele quis mostrar que a vida espiritual é a
verdadeira vida e que o corpo não passa de simples vestimenta
grosseira que temporariamente cobre o Espírito e que o prende
à Terra, do qual se sente feliz em se libertar. (S. Lucas, Cap. IX,
vv. 59 e 60)
A comemoração dos mortos teve origem na antiga Gália, onde
os druidas comemoravam a Festa dos Espíritos, não nos
cemitérios, mas sim, em cada casa, onde evocavam as almas dos
falecidos.
Somente no século X a Igreja Católica instituiu oficialmente o
dia dos mortos em 02 de novembro, porém hoje, esta data
transcendeu o lado religioso, passando para o lado comercial,
quando ocorre grande comercialização de flores e velas e a
preocupação maior com a conservação dos túmulos, que muitas
vezes, ficam o ano inteiro abandonados.
O espírita respeita vários costumes perante a morte, porém,
procura agir sempre em função da realidade espiritual e não das
aparências, pois sabe que os Espíritos são mais sensíveis às
lembranças que às homenagens, que se constituem em alívio
para aqueles que são infelizes.
Nos velórios, o espírita não usa velas ou flores, pois sabe que o
Espírito não precisa dessas exterioridades, entretanto procura
respeitar sua memória com orações e pensamentos carinhosos
em favor de sua paz e amparo no Mundo Espiritual, evitando
que a saudade se converta em motivo de angústia, pois este
sentimento prejudica o desencarnado.
O Espiritismo, não vem impor regras, mas o espírita sabe que é
dispensável ir aos cemitérios porque as vibrações alcançam o
Espírito onde quer que esteja, e no dia de finados atendem ao
apelo do pensamento e da prece como em outro dia qualquer,
por isso, pouco importa o lugar, desde que seja ditada pelo
coração.
A morte precisa ser encarada como parte da vida, por isso,
roguemos a Deus para que os fortaleça nessa hora difícil,
procurando viver de tal maneira que possamos desencarnar a
qualquer instante, sem desequilíbrio, aceitando como um dos
ciclos da vida que se cumpre, pois a morte do corpo físico não
consegue destruir a vida.
A melhor homenagem que se pode prestar a alguém que viaja
para o Mundo Espiritual, é oferecer buquês feitos com nossas
preces, pois aqueles que amamos nunca morrem, apenas
partem antes de nós e é nesse instante que Deus nos dá a
oportunidade para fortalecer a nossa Fé.
Os ventos que às vezes tiram algo que amamos
São os mesmos que nos trazem algo que aprendemos a amar
Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado
E sim aprender a amar o que nos foi dado
Pois tudo aquilo que é realmente nosso
Nunca se vai para sempre.
por Marlon Santos
de

(ESDE)

CENTRO ESPÍRITA LAR DE JOSÉ
Informativo

MEDITAÇÕES SOBRE A MORTE